Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Crianças portuguesas em Varsóvia

Embora este blog não seja de todo conhecido, gostava de lançar um desafio/ideia que, embora não sendo original, penso ser importante principalmente porque neste momento não existe nada neste estilo.

Sou um português a viver em Varsóvia há já 3 anos e sou casado com uma polaca. Do nosso casamento já temos uma filha de 16 meses e neste momento preocupamo-nos cada vez mais com a questão dela e dos outros que vierem a seguir aprenderem português e entenderem e viverem uma cultura portuguesa, que embora não esteja presente no dia-a-dia, também é ou será deles.

Assim depois de procurarmos, demos conta que não existe nada, nem na embaixada nem em nenhuma organização privada que proporcione à pequenada aprender a língua ou no mínimo ter um contacto mais alargado com pessoas que falem português.

Por isto estou à disposição para ajudar a organizar alguma coisa com outros pais de crianças portuguesas ou luso-polacas para suprimir esta falha.

Ideias para encontros com certeza não faltarão e tenho a certeza que o mais difícil será dar o pontapé de saída.

O meu contacto é:
olugardaesperanca@gmail.com

Fico à espera de contactos mas entretanto vou tentar também contactar pessoas que estejam dispostas a tentar organizar alguma coisa.

Um abraço

É menina

Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que inventaram as ecografias em 4D. Se alguém souber qual é a 4 dimensão que me explique que eu ainda não percebi, mas pronto isso é um detalhe.
Na 4ª feira fui fazer a primeira ecografia em que realmente deu para ver que vou ter uma filha!

É incrível que com 22 semanas o ser humano está formado, pernas, braços, cabeça, corpo...

Enquanto via pela primeira vez a minha filha a dar um valente de um bocejo, provavelmente cansada pela nossa intromissão e a indiscrição pensei sobre o aborto.

Desde o primeiro momento que quer eu, quer a minha mulher sentimos o nosso bebé como um ser humano que já fazia parte da nossa vida. Recordei aquela primeira eco em que mal se percebia se víamos um peixe ou um pedaço de carne comido ao almoço mas o coração que pulsava revelava que ali havia uma vida que lutava para crescer.

Nesses segundos que parecem horas, lembrei-me dos cuidados que tomamos, as vitaminas e os suplementos minerais, a preocupação acrescida na alimentação e na necessidade de descansar um pouco mais. Ai que há uma dor estranha e vamos já para o hospital porque há tanto medo dos abortos espontâneos, das gravidezes ectópicas e isto e aquilo...

A maioria destes medos, vive-mo-los durante as primeiras 10 semanas da gravidez... Será que alguém me vai conseguir explicar que durante essas primeiras semanas a minha filha era descartável, não humana? O aborto é um drama porque implica a morte de um filho...

Naquele écran com tons laranjas enquanto a minha filha insistia em não querer mostrar a sua "vergonha" pensei naquele provérbio popular sobre a pescada, antes de o ser já era!

Ainda antes de eu sequer saber, ela era já a minha filha.

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

O blogue que faltava...

"O que não falta é blogues de emigras por essa internet fora" vão dizer uns. "Não bastava já não escreveres no outro blog, ainda tinhas que fazer outro" vão dizer outros.

Mas pois é, decidi criar um blog à parte para falar de coisas mais pessoais, mundanas e profanas e deixar o Lugar da Esperança para reflexões de furor mais religioso e picardias teológicas.

Assim espero não aborrecer malta com beatices e ao mesmo não ficar com peso na consciência de dizer meia dúzia de parvoíces por entre posts bastante sérios.

Entretanto para o blog não ficar assim pró vazio, entreti-me a passar vários posts para aqui.

A ver se não me esqueço de escrever...

Segunda-feira, 16 de Julho de 2007

Burocracia Polaca

Se há herança de que o comunismo polaco ainda se pode orgulhar de estar bem viva ainda é a burocracia. É incrível a quantidade de pequeninos passos que é preciso dar para se poder conseguir fazer alguma coisa.

A burocracia era uma forma do regime comunista controlar as pessoas de maneira bastante eficiente disfarçado numa aparente legalidade e justiça. Por exemplo naqueles tempos quem queria comprar um carro tinha que se inscrever numa lista de intenção de compra e preencher 20 quilos de papelada. Esta e outras listas deste tipo permitiam um poder e um control ilimitado sobre os privilégios. Estas eram também utilizadas para premiar ou castigar os cidadãos ou simplesmente dissimular a falta de capacidade da economia nacional responder às ambições da população de uma vida mais capitalista. Claro que estas listas funcionavam também como fortes incentivos à corrupção, o gémeo da burocracia.

Como é óbvio, hoje em dia já não são precisas listas, mas a necessidade de preencher papeis continua bem viva no dia-a-dia polaco. Quando cheguei aqui, dirigi-me ao Serviço de Estrangeiros para me informar do que precisava para me legalizar por querer mudar a minha residência permanente para a Polónia. Acreditem que o processo é digno de ser comparado a qualquer lista de tarefas hercúleas. Por ser cidadão da união europeia tenho até alguma sorte mas os outros podem ter que esperar até 2 dias só para serem atendidos (há quem faça negócio com a venda de lugares em espera) pelos simpáticos funcionários públicos. Tal como em Portugal, os funcionários públicos são famosos pela sua rapidez e simpatia. Agora imaginem este pesadelo, que já é terrível o suficiente, mas em polaco e sem legendas!!!

Pessoalmente confesso que pensei em desistir e ficar ilegal. Conheço pelo menos dois estrangeiros que decidiram contratar pessoas especializadas para os ajudarem.

Mas não se pense que é uma questão de capricho para dificultar a vida aos estrangeiros.

Uma tia da minha mulher viu a a data de inauguração da sua pequena pastelaria ser adiada dois meses por falta de uma assinatura de um elemento da secção de urbanismo da câmara num documento em que diz que tomou conhecimento.

A minha sogra foi atropelada quando ia na passadeira. Demorou 6 meses a ter uma decisão do tribunal e já lá vão outros 6 meses desde a decisão e ainda não terminou a troca de documentação com a seguradora que, claro, ainda não pagou um tusto.

No outro dia tive um problema ao carregar o telemóvel com 5 zlotes, mais ou menos 1 euro e meio. Telefonei para assistência para ver se podiam ver o que se passava, pediram-me que escrevesse uma queixa por escrito.

Claro que todos, incluíndo a classe polaca, têm a noção que o sistema tem que ser aligeirado. Mas entretanto e enquanto isso não acontece, já adivinho umas boas e longas horas de espera quando for registar a minha filha.

Preparado, já comprei um bom livro de mais de 200 páginas... espero que chegue.

Terça-feira, 8 de Maio de 2007

Ser Pai... porra que isto dá medo!

No domingo à noite senti pela primeira vez o bébe que está na barriga da mulher.

De repente tive uma espécie de flash back invertido e pela minha cabeça começaram a percorrer ao melhor estilo de Tim Burton, todos os possíveis perigos que um recém nascido pode estar sujeito.

A televisão que está demasiado baixa, o chão que é demasiado duro, a pedra da lareira que é demasiado esquinada, as bugigangas que andam espalhadas que são fantásticamente atractivas para engolir e engasgar... AAAAAHHHHHHHH!!!!

Juro que senti uma gota de suor frio a correr-me pela testa.

Antes de adormecer ainda me levantei duas vezes para ver se o fogão era fácil de abrir e se havia alguma tampa de pasta de dentes em algum cantinho...

Hoje pensei, isto de ser pai dá medo!!!

Como é que será se sentirá o Pai lá de cima ao ver-nos a fazer tantas maluquices e perante tantos "móveis" e coisinhas pequeninas que podemos engolir?

Ainda bem que eu não sou Deus porque senão já andava a planear comprar borrachas protectoras de cantos e tampas para as fichas electricas do mundo inteiro...

Em comunhão